quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A religião como necessidade metafísica





No Humano, demasiado humano, já no primeiro aforismo desse texto, Nietzsche apresenta seu programa de crítica a partir de três perspectivas: a crítica à moral (cunhada na filosofia schopenhauriana), à estética (representada pela arte romântica de tipo wagneriana) e à religião (cristã). O objetivo central do presente trabalho é analisar o terceiro elemento, justamente aquele no qual Nietzsche aplica a sua “filosofia histórica” sobre a religião. Nossa trajetória argumentativa partirá de uma explanação sobre o projeto de crítica à metafísica de Humano, demasiado humano para então demonstrar como Nietzsche entende a metafísica como uma "necessidade" e a própria religião como um tipo de "necessidade metafísica" cujo fundamento é uma má-interpretação da dor (um dos elementos que formam aquilo que ele chama de humano). A aplicação do procedimento histórico-fisiopsicológico levará, assim, à reabilitação das coisas humanas e ao "evangelho" (MA/HH, 107) da inocência, ou seja, ao anúncio de que o alívio da vida seria resultado da compreensão da pura necessidade de todas as coisas.

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